MOVIMENTO OLHO LATINO DE ARTE: UM BREVE DEPOIMENTO*

Ana Maria Bittar**

       Desenvolvi uma pesquisa buscando estudar os registros curriculares do Museu Olho Latino. Realizei entrevistas com os membros do Núcleo de Arte deste museu, freqüentei algumas das recentes exposições do grupo e estudei a história da formação do acervo a respeito da gravura, a fim de interar sobre a importância dessa unidade cultural, que considero ser um movimento de arte.
       Valorizando sempre a gravura, o professor Paulo Cheida Sans da PUC-Campinas, realizou a curadoria de diversas exposições, na maioria das vezes, sem ajuda de custo de nenhuma parte. Após ter editado e organizado o livro "Olho Latino", uma coletânea de textos escritos por autores de vários pontos da América Latina, em 1990, continuou organizando a publicação em forma de revista, editando alguns números impressos desde 1991. (Atualmente ela existe em versão digital no site www.olholatino.com.br). A partir desta data, muitas de suas curadorias foram realizadas pela revista. Realizou mostras memoráveis colocando o nome Olho Latino como um órgão atuante em favor da valorização da arte da gravura.
       Assim fez mostras significativas já no início dessa nova jornada como a "Grabados & Gravuras", exposta em Campinas e em Brasília, "Gravadores Latino-americanos", em La Paz, Bolívia, iniciando uma grande historia que chegou até Quebec, Canadá, com seu projeto da mostra "Grabados & Gravuras - Mostra Latino-Americana de Gravura", em sua quinta edição, aceito pela Universidade Laval, em 1998. A mostra recebeu o Prix Des Arts et de La Culture de Université Laval como exposição de destaque, sendo a principal apresentada na Salle d'exposition Pavillon Alphonse-Desjardins naquele ano.
       O nome Olho Latino vem se fortalecendo cada vez mais. A formação do Núcleo, reunindo artistas, na sua maioria, ex-alunos da PUC Campinas. aconteceu com a mostra "Papel Latino" realizada na Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília, em 1996.

Foto: Divulgação
Parábolas para o século XXIII

       Com encontros periódicos sempre com a coordenação do prof. Paulo Cheida, os artistas do grupo Olho Latino se reúnem para socializar suas vivencias, suas produções e se prepararem para novos temas, que sempre são lançados pelo coordenador para novas exposições. Com as mostras acontecendo continuadamente, inclusive as parciais do acervo internacional de gravura, Paulo Cheida e sua esposa, a artista plástica Celina Carvalho, resolveram fundar o museu com o nome Olho Latino para organizar suas realizações, a partir de março de 2001.
       Incrivelmente ricas em produção e qualidade, essas exposições precisam ser vistas e divulgadas com muito mais intensidade para que mais pessoas possam ter oportunidade de conhecer esse trabalho de grande valor artístico.
       Como um dos principais destaques, o Museu Olho Latino promove a "Bienal do Esquisito", com a participação de seu grupo de arte, onde além das exposições, os artistas apresentam suas performances, resultando em um surpreendente evento de grande valor cultural. Acredito ser uma Bienal "única" no país.
       Como diz o professor Paulo: "O artista autentico permanece independente dos modismos" e apoiando-se nesses valores vem dando continuidade com seu empenho, levando a arte e a cultura de modo geral, inseridas no Museu e no Núcleo Olho Latino, para muitas regiões do Brasil. Divulga com muita dedicação os artistas de nossa região, suas produções e esse incrível movimento que em breve será conhecido consubstancialmente no país todo e fora dele.
       Com certeza, além do Núcleo e do Museu, acontece a cada dia com maior intensidade o movimento Olho Latino de arte.


Foto: Divulgação
Grabados & Gravuras


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* Baseado na conclusão da pesquisa de Iniciação Científica "O Museu Olho Latino e a Arte da Gravura", realizada de agosto de 2005 a junho de 2006 com Bolsa Reitoria PUC-Campinas, tendo como orientador o prof. Paulo de Tarso Cheida Sans.

** Ana Maria Da Silva Bittar Crivari - aluna do 4º ano do Curso de Artes Visuais - CLC - da PUC-Campinas. Artista plástica e professora do CIAD - Centro Interdisciplinar de Atenção ao Deficiente - da PUC-Campinas.