Conjunto Cultural da Caixa apresenta 120 xilogravuras de artistas internacionais
Uma verdadeira aula sobre a arte da xilogravura contemporânea.
É assim que pode ser considerada a exposição que traz
obras de 54 artistas
A gravura em relevo ganha destaque na exposição Xilo Internacional,
que será aberta no próximo dia 28, quinta-feira, às 12h30,
no Conjunto Cultural da Caixa. Com curadoria de Paulo Cheida Sans, a mostra
reunirá 120 obras do acervo do Museu Olho Latino, criadas por 54 artistas,
representantes de 21 países.
Segundo o curador, o acervo tem obras de importantes artistas, que
são considerados referências nesse tipo de arte em toda a parte
do mundo.
Para a exposição, em São Paulo, a escolha partiu
para a gravura em relevo e, em especial, a xilogravura. É por isso
que Sans selecionou obras de reconhecidos gravadores que já mostraram
seus trabalhos no Japão, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha,
entre outros países. "Muitos são professores universitários
na área de gravura e premiados em importantes Bienais", comenta
o curador.
A especificidade da gravura em relevo tem como característica
expor a textura resultante do tipo de matriz escolhida e do modo como foi
trabalhada. A fibra, os nós, o tipo de madeira, o modo em que foi lixada
e preparada, os tipos de cortes da sulcagem e o jeito de imprimi-la levam
o artista a ter inúmeras possibilidades de resultados.
O uso do linóleo como matriz e outros materiais similares também
oferecem diversos recursos como a coloração nítida, uniforme.
Outros materiais também podem ser usados como matriz, como o metal
e o acrílico. "A gravura é considerada uma modalidade que
necessita de muita capacidade e atenção do artista pois se trata
de uma arte de difícil execução", completa Sans.
Destaques
Xilo Internacional traz destaques como as obras de Olga Blinder,
artista paraguaia que trabalhou com Lívio Abramo, e foi diretora da
Escolinha de Arte do Paraguai, em Assunção, entre 1959 e 1976.
Atualmente, é diretora do Instituto Superior de Arte do Paraguai. Ela
participa da mostra com duas gravuras da década de 60, caracterizando
o ser humano torturado, oprimido pelo poder.
Outra gravadora de talento incontestável é Leonilda Gonzalez
(Uruguai). Fundadora do Clube da Gravura de Montevidéu, em 1953, sua
missão em expandir a arte da gravura atingiu os países em que
residiu -México, Equador, Peru, Panamá e Colômbia.
Alejandro Salazar, da Bolívia, que participou da II Bienal do Mercosul
realizada em Porto Alegre, e Witold Kalinsk, artista polonês, veterano
participante de Bienais de gravura em todo o mundo, também fazem parte
da coletiva mostrada no Conjunto Cultural da Caixa.
Tem brasileiro, sim
Os artistas brasileiros não ficam de fora da mostra que traçará
um amplo panorama da xilogravura. Além de Paulo Cheida Sans, Celina
Carvalho, artista de Campinas que tem se destacado no interior do Estado,
também participa. Ela já expôs em países como Espanha,
França e Panamá, e foi destaque na I Bienal do Esquisito, realizada
no final de 2001, no SESC-Campinas. Celina traz três gravuras em relevo,
criadas com materiais inusitados como matrizes.
Outro brasileiro presente é Klaus Karall (alemão radicado
no Brasil, morto em 1995). Ele será representado por duas gravuras
da série São Paulo. Já o mineiro Wallace de Medeiros
mostrará gravuras inspiradas em Inconfidentes, cidade onde reside.
Sua obra narra o cotidiano através de uma visão poética.
"Sua criação representa um conjunto das tradições
e costumes relativos à cultura popular", atesta o curador.
Antonio Costella, Marlene Crespo, Kenichi Kaneko, Cláudia Sperb, Sérgio
Lima, e Josafá de Orós completam o quadro de brasileiros.
Acervo em Campinas
O Museu de Arte Contemporânea Olho Latino, sediado em Campinas-SP,
nasceu em março de 2001 como resultado natural do trabalho desenvolvido
na área cultural pelos artistas plásticos Paulo Cheida Sans
e Celina Carvalho.
O casal doou 400 obras, a maioria gravuras, para a constituição
do mesmo. O acervo está sendo mostrado em mostras parciais e Xilo Internacional
é a primeira a ser apresentada em São Paulo.
Os artistas
Adrian Chiacchetti (Argentina), Alfredo Mauderli (Argentina), Alejandra Bagolini
(Argentina), Alejandro Salazar (Bolívia), Ana Cristina Cahiz (Venezuela),
Andrzej Popiel (Polônia), Anthony John Davies (Inglaterra), Antonio
Costella (Brasil), Berta de Bihar (Argentina), Carolina Salinas (Peru), Celina
Carvalho (Brasil), Cláudia Sperb (Brasil), Florencia Podestá
(Argentina), Gabriela Chellew (Venezuela), Gillian Mann (Austrália),
Hilda Paz Levozan (Argentina), Hilde Van Den Heuvel (Bélgica), Hussein
El Gebali (Egito), Iram-Abi (México), Ismail Coban (Alemanha), Jadwiga
Smykowska (Polônia), Jan Baczynski (Polônia), Jindrich Ruzicka
(Rep. Tcheca), Jorge Ara (Peru), Josafá de Oros (Brasil), Julian Stup
(Israel), Klaus Karall (Brasil), Kenichi Kaneko (Brasil), Leonilda Gonzalez
(Uruguai), Marcelo Oscar Aguilar (Argentina), Marlene Crespo (Brasil), Maksymilian
Snoch (Polônia),Michael Müller (Alemanha), Michalek Ondrej (Rep.
Tcheca), Monika Handke (Polônia), Ogawa Kazuei (Japão), Osvaldo
Holm (Argentina), Osvaldo Jalil (Argentina), Olga Blinder (Paraguai), Paulo
Cheida Sans (Brasil), Peter Clarke (África do Sul), Ramiro Ricardo
(Cuba), Raul Cattelani (Uruguai), Raul França (Uruguai), Robert Koch
(Argentina), Richard Yates (Canadá), Sandra La Porta (Argentina), Sérgio
Lima (Brasil), Taika Kinoshita (Japão), Tonia Nicolaidou (Grécia),
Wallace M. de Medeiros (Brasil), Witold Kalinsk (Polônia), Yuko Ichikawa
(Japão), Yuko Higuchi (Japão).
Exposição: Xilo Internacional
Inauguração: 28 de fevereiro de 2002, às 12h30
Duração: 1º a 26 de março de 2002
Local: Conjunto Cultural da Caixa
Endereço: Praça da Sé, 111, 3º andar - Salão
Nobre
Horário: segunda a sexta-feira, das 9 às 15h - Entrada Franca
Informações: Conjunto Cultural da Caixa/SP
Demais informações: visitas monitoradas podem ser agendadas
Informações p/ Imprensa:
Ateliê de Textos, com Alzira Hisgail, Ada Caperuto ou Silvana de Carvalho
Fev/02
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